quarta-feira, junho 20, 2007

Memórias de alguém que está na merda.


Alguém sem coração quer confiscar o baixo que tanto me faz feliz. Como não tenho uma contraproposta, tento comovê-lo. É meu único companheiro nesses dias de sol tão sombrios para mim, que estou muito dura. Sem contar que não tenho o amplificador, mas é uma questão de estratégia. As iguarias vão minguando, assisto passivamente a lata de café se esvaziando. Ah, já cogitei a falta de jornal, de comida, de cigarro (até que é bom), de prozac... mas de café NÃO! Isso me deu grande vontade de derramar lágrimas dos olhos... mas não, pode ser que logo elas acabem também e então não terei como sensibilizar meus terríveis cobradores.
Venho estudando uma maneira de passar discretamente pela catraca do metrô... o ônibus chacoalha demais e demora tanto!
No lixo estão se reunindo as correspondências ainda não abertas com o título: Mackenzie, Banco Real, Visa... já não me abalam mais. O que mais dói no meu coração é a lata de café se esvaindo... o que vou fazer sem a espuminha nossa de cada dia? Minha vida está acabada... sim, está... é o fim... é o fundo do poço...