sábado, setembro 16, 2006

Na África há uma tribo na qual as mulheres passam a usar brincos ao se casarem.
Quando elas retiram os brincos significa que já não amam mais seus maridos. Este ato simples é o processo de separação.(1)
Penso que trazemos conosco uma idéia antiquada sobre relacionamentos, queremos ter a posse do outro para nos sentirmos seguros, temos medo de sermos enganados, trocados e humilhados.
Admito que o fim de uma relação é sempre um mal-estar, mas é inevitável.
Culpamos nossos companheiros quando não atingem nossas expectativas, muitas vezes esquecemos que nos apaixonamos por aquele ser livre e independente que conhecemos.
O beijo, uma tentativa de engolir o outro. Somos egoístas.
Não quero ser demagoga, mas ando fazendo o possível para me despir de minhas vaidades e deixar de esperar qualquer coisa das pessoas que amo. Quero ser procurada por saudade, não por obrigação. Quero que a vontade seja maior que a rotina, que a falta seja o desejo, que o amor seja a admiração por aquilo que é intocado e, desta forma, não se acabe. Quero a beleza das pedras brutas.

SONETO DA FIDELIDADE
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me preocupe
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive)
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinícius de Moraes)



(1): Informação retirada do Livro "Sociologia Geral", Eva Maria Lakatos.

terça-feira, setembro 12, 2006

Whisky

Dizem que o melhor som do mundo é aquele que você quer ouvir, e o som do guaraná espumante caindo no copo com whisky e gelo está caindo muito bem. Ouvindo a minha amiga de horas depressivas, Elis Regina, (lógico que o drink é em homenagem a ela), em alto volume para abafar meus pensamentos sobre tudo. Atravesso a grande sala até a janela vertiginosamente grande e alta, da qual tenho uma visão privilegiada sobre a cidade. O movimento de pessoas é grande, mesmo durante a madrugada, o que fazem esses idiotas a esta hora, neste frio, na rua? Deveriam estar dormindo, fodendo ou bebendo, a mim, graças a insônia, só restou a terceira opção.
Sozinha, já fiz tantas ligações que realmente tenho a impressão de que todas as empresas de telefonia estão fora do ar esta noite.
"Sentindo frio em minha alma, te convidei pra dançar..." dançando com a solidão lembro de minha mãe, linda, engraçada e sempre sozinha. Eu sou só engraçada e já acho um absurdo meu isolamento. Mas ela tem um encanto, algo de triste por trás da imagem de mulher independente, linda e inteligente. Algo que chora e pede carinho por trás das trovoadas. "A tua mão no pescoço, as tuas costas macias, por quanto tempo rolaram as minhas noites vazias..." agora a saudade senta ao meu lado no sofá vermelho, já estou um pouco tonta, eu disse, beba mais um drink, ela respondeu, ficarei aqui ao seu lado até você dormir. Mais uma vez o som do guaraná, acho que vou precisar de um engov. Lembrei-me das palavras de um amigo, ele me disse que engov é proibido em outros países mais desenvolvidos e me senti uma pessoa muito inferior por causa disso. Deixa o engov pra lá.

segunda-feira, setembro 11, 2006

...

Preciso de paixão para viver
Paixão por mim e por tudo o que faço
Sentir meu espírito no espírito das coisas
Coisas que os homens fazem com seus espíritos
com suas paixões
quando reconheço, nelas, um pedaço de mim
me sinto viva
sinto que faço parte da história do mundo
sinto que Deus também sou eu.