quarta-feira, junho 27, 2007

Augusta, graças a Deus
Graças a Deus
Entre você e a Angélica
Eu encontrei a Consolação
Que veio olhar por mim
e me deu a mão...

Augusta, Angélica e Consolação - (Tom Zé)

A tarde acaba e as luzes coloridas paulistanas se acendem. Começam a surgir pelas ruas seres estranhos calçando all stars, cintos coloridos, chapéus e boinas, muitos piercings e alargadores nas orelhas. Essa gente se encontra nos bares que tocam indie rock e outros sons alternativos e cujas decorações lembram muito a idéia de inferno. Essas pessoas tem poucos preconceitos, são acolhedoras e estão sempre atualizadas sobre tudo.
Pra mim, isso é a alma de São Paulo, nasci na Av. Paulista e é lá que vou me divertir, trabalhar, chorar e beber. E em todas as ruas que nela desembocam.

quarta-feira, junho 20, 2007

Memórias de alguém que está na merda.


Alguém sem coração quer confiscar o baixo que tanto me faz feliz. Como não tenho uma contraproposta, tento comovê-lo. É meu único companheiro nesses dias de sol tão sombrios para mim, que estou muito dura. Sem contar que não tenho o amplificador, mas é uma questão de estratégia. As iguarias vão minguando, assisto passivamente a lata de café se esvaziando. Ah, já cogitei a falta de jornal, de comida, de cigarro (até que é bom), de prozac... mas de café NÃO! Isso me deu grande vontade de derramar lágrimas dos olhos... mas não, pode ser que logo elas acabem também e então não terei como sensibilizar meus terríveis cobradores.
Venho estudando uma maneira de passar discretamente pela catraca do metrô... o ônibus chacoalha demais e demora tanto!
No lixo estão se reunindo as correspondências ainda não abertas com o título: Mackenzie, Banco Real, Visa... já não me abalam mais. O que mais dói no meu coração é a lata de café se esvaindo... o que vou fazer sem a espuminha nossa de cada dia? Minha vida está acabada... sim, está... é o fim... é o fundo do poço...

terça-feira, junho 05, 2007

Não tenho medo de sentir dor, frio, fome, calor ou qualquer outra coisa que venha de fora. O que realmente tem me preocupado é o que vem de dentro. Estou com medo de mim mesmo.
É como se a pele não fosse para proteção contra fatores externos, mas sim, para esconder a carne viva que está aqui embaixo, ardendo, sangrando e fervendo.
Tenho a sensação de que posso ser dominada pelos meus sentimentos sem conseguir escapar, me pego agindo por impulsos, falando sem pensar.
A paixão me faz ter ciúmes, me declarar, correr, me esconder, chorar... A curiosidade me faz jogar tudo para o alto sem sequer cogitar um insucesso. E quanto a desorganização? Nem cabe aqui a falta que me faz atentar-me aos detalhes... meus pensamentos estão sempre tão longe...meu coração bate sempre tão perto...