terça-feira, fevereiro 27, 2007

Meus Mitos

Gosto de patuás, gosto de crer que nada é por acaso e que, apesar dos meus dias fodidos, tenho um futuro brilhante pela frente porque, simplesmente, é meu destino.
De vez em quando, porém, a verdade vem estapear a minha cara. Ah, como são doloridos os tapas da verdade! Ela me arranca do útero da crença, me desmama das ilusões e me faz andar com as próprias pernas... mas eu ainda não tenho tônus... não suporto o mundo real, com sua lógica mortal. A ciência será meu fim.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

La plaja, las personas

Sem carro, dinheiro ou guarda-sol, passeava eu pela GRAAANDE Florianópolis. Ônibus para as maiores distâncias e pé para o resto. Pouso na casa da minha irmãzinha, e comida também.
Perguntei a um menino, que estava a expor seu artesanato na praça da praia da Pinheira, onde o ônibus parava e ele explicou. Começamos, a partir daí, uma breve conversa. Perguntei de onde era, pois falava portunhol, era de Buenos Aires. Comentei que moro em São Paulo, respondeu que passou meses aqui. E pretendes voltar fora da temporada? Respondeu que não, indaguei o motivo; - Porque sou da Natureza, respondeu.
E quem não é??? apenas pensei. Nosso Deus, brincalhão, colocou o mar lá e a grana aqui. A tranquilidade e a saúde lá, a adrenalina e a farra aqui. Ora, também sou da Natureza, mas sou do concreto, do trânsito, da balada, das pessoas. Talvez, como disse a sábia Lídia quando lhe falei sobre minhas dúvidas, isso seja Liberdade.

Os manezinhos da ilha são muito tranquilos, cordiais, altruístas. Todas as pessoas com quem conversei demonstraram isso, de tal forma que não gastei um centavo para chegar a algumas praias. Entrei no ônibus meia hora antes da partida, pois era o ponto final. O motorista (um afro-brasileiro muito bonito, simpatico e casado) me deu todas as dicas sobre lugares da região pra eu visitar, inclusive sobre a Guarda do Embaú e uma trilha sobre pedras na qual eu vi as ondas quebrando pouco abaixo dos meus pés. Antes de desembarcar questionei o valor da passagem e ele não cobrou, comentou que sabe como é andar em lugares desconhecidos.
A última coisa que senti foi que estava em local desconhecido, com qualquer pessoa que puxava assunto, fosse sobre o sol, sobre a ilha, sobre o sorvete... era correspondida.

Há, e por fim, devo agradecimentos ao Programa de Atraso Aéreo, pois as 6 horas que esperei no aeroporto me renderam bons amigos e até uma carona para casa em São Paulo, mas isso é assunto para outra postagem....

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